Por Mateus Souza

O cenário que a indústria brasileira enfrenta neste fim de semestre é ainda muito confuso, com empresas voltando à operação após recessos preventivos contra a covid-19 e outras suspendendo a operação indefinidamente. O recuo previsto no PIB brasileiro já ultrapassa os 5%.

Como enfrentar a crise no longo prazo e se precaver contra novos imprevistos da economia? Uma das vantagens competitivas que ficaram claras neste momento é a produção local de insumos industriais. Com a nacionalização de matérias-primas, as empresas ficam menos suscetíveis a flutuações cambiais e restrições logísticas.

Num cenário de dificuldades para o transporte aéreo e marítimo, ter insumos produzidos em território nacional traz tranquilidade. Deixar de importar e passar a produzir localmente só é possível por meio de planejamento de longo prazo, da confiança em suas filiais e a contratação consciente para as posições estratégicas. Obter as necessárias certificações também é um passo crucial na obtenção da liderança de mercado.

Outro ponto sensível para as empresas no momento é a variação cambial, pois o atrelamento da importação ao dólar ou ao euro se mostra uma bomba-relógio. Por outro lado, a exportação, para quem pode fazê-la, representa uma vantagem para a indústria inserida no mercado internacional, como atividade muito rentável que deverá ser fomentada na retomada desta crise.

Se uma indústria mantém uma cadeia de fornecedores bem consolidada, e tem insumos em estoque, é possível continuar atendendo seus clientes em curto espaço de tempo e sem consideráveis variações de preço. Uma grande economia em meio à crise.

Atualmente gerencio as vendas da área industrial de uma fabricante de válvulas e percebo que, o fato de produzir no Brasil diafragmas de vedação com capacidade de exportação para diferentes países, tem sido uma vantagem. Mesmo em meio à incerteza nacional, surge a possibilidade de ampliar as vendas externas, o que poderia até mesmo acarretar novas contratações.

Quando uma indústria importa um insumo, está à mercê de inúmeras variáveis – até mesmo roubo de cargas já negociadas, como temos visto ultimamente, no que foi classificado como “pirataria moderna”. Ao investir na nacionalização desse produto, é possível até mesmo customizar o insumo, de forma a atender melhor o cliente em sua aplicação específica.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem chancelado essa tendência, ao afirmar que a nacionalização, que já foi encarada como medida protecionista no passado, hoje é uma importante política industrial para o país: incorporar tecnologias, desenvolver e inovar em novos produtos e modelos de negócio, além de diversificar para setores e atividades com maior valor agregado.

A dica seria usar ao máximo o produto Made in Brazil, tentar exportar o que for possível e substituir importações quando cabível. Esse investimento consistente será uma tábua de salvação para a economia do país – mas ele requer coragem e decisões de longo prazo.

Mateus Souza é gerente geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle.

Sobre a GEMÜ – A filial da multinacional alemã criada por Fritz Müller na década de 1960 disponibiliza ao mercado brasileiro válvulas de extrema eficiência e qualidade. A planta situada em São José dos Pinhais (PR), que conta com 100 colaboradores e completa 40 anos em 2021, produz válvulas e acessórios para o tratamento de água e efluentes em indústrias de todas as áreas, como siderurgia, fertilizantes e setor automobilístico, bem como para integrar sistemas de geração de energia. Na área de PFB (farmacêutica, alimentícia e biotecnologia), a GEMÜ é líder mundial e vende para toda a América Latina produtos de alta precisão, com atendimento local, além de consultoria com profissionais capazes de orientar na escolha da melhor solução em válvulas para cada aplicação.

Fonte: HelenaCarnieri

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui